
Um homem corre na praia em direcção ao crepúsculo. Tem pressa, o peixe ainda dá sinais de vida. Corre, pé ante pé na areia. Atrás, os amantes focam a cena. Recusaram o peixe, sorriram ao homem. Ele corre, eles pensam. Calam, escondem ansiedades, angústias. Olham o sol que se põe. Falam com as mãos. Três meses de incursão na pele e marés do outro. Três meses a evitar medir outras geografias, aquelas dos mapas. Calam, amam, beijam. Sentem a textura das palavras no silêncio dos lábios. Dali a meses, repetem o crepúsculo noutra varanda lançada sobre o mesmo mar. Há uma ameaça de ovo, vai surgindo uma outra voz taquara, em surdina. Da Bahía ao Rio de Janeiro, de Stella Maris ao Leblon. E os lábios a encontrarem de novo o sentido do silêncio das palavras.
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