sexta-feira, 13 de março de 2009

Sombra

A cabeça estremece -é impossível correr tanto e pensar tão lucidamente. Há todo um Rio de Janeiro em baixo, deitado. Cidade estendida com esgares feitos de sangue cor de água e suspiros de beleza. A criatura precisa de poleiro, de um ramo que sustenha o peso dos olhos. São séculos de opressão agarrados ao ébano. Ouve-se um fado mudo balbuciado em Santa Teresa. É urgente ordenar as imagens marcadas na pele. Resgatar o viço das frutas vigiadas pelo antipático merceeiro. Precisa de poleiro, a criatura.Uma ligeira sombra.

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